terça-feira, abril 15, 2008

Agridoce

Há certos momentos que são assim, agridoces... É um sabor estranho este... Nem doce nem amargo, nem carne nem peixe, nem frio nem quente, nem preto nem branco...

É aquele sentimento que nos assola quando algo de bom termina, para dar lugar a outra coisa também ansiada... Mas porque não podemos ter as duas coisas?

Mas como já fui aprendendo ao longo deste caminho, tudo tem o seu lugar e as escolhas da vida têm que ser assumidas. Porque só há um sentido na vida, "para a frente".

Vou ter saudades deste lugar...

segunda-feira, março 31, 2008

Águas de Marco

"É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
(...)
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho"

Tom Jobim

É assim a vida, às vezes chegamos ao fim de um caminho, ao fim de uma etapa e às vezes ela é tao dolorosa como um espinho na mao ou um corte no pé... Às vezes parece que nao há como atravessar o rio imenso que se depara à nossa frente, mas eventualmente avistamos uma ponte... E ao cruzá-la, deixamos para trás aquele pedaco de caminho... Bom ou mau, já está feito, já teve o seu tempo e o seu espaco na nossa vida...
É como as águas de Marco, que caem pelo teu rosto e fecham o verao... Mas haverá mais veroes e mais sorrisos e este é o primeiro dia do resto da tua vida, é a promessa de vida nova no teu coracao...

segunda-feira, março 17, 2008

Às cores..

Há dias mesmo complicados... Dias em que parece que se nos tolda a vista de um cinzento espesso difícil de dissipar... Dias em que duvidamos de nós mesmos e das nossas capacidades, do rumo que escolhemos tomar... Dias em que nos sentimos uma fraude, a tentar convencer o mundo e nós mesmos que sabemos para onde vamos...
Bem sei que a estrada às vezes anda em círculos ou tem curvas complicadas, e que algures mais à frente haverá rectas a perder de vista, ladeadas por árvores de fruto... Mas nao posso deixar de me queixar quando a estrada parece escura e sombria, quando nos assola o sentimento de que deveríamos voltar para trás porque afinal virámos na bifurcacao errada algures lá atrás... E que isso nos está a fazer perder tempo precioso para chegar a algum lado...
Chegar... Parece que é sempre o nosso objectivo, chegar a algum lado... Temos pressa de partir porque temos pressa de chegar... Mas eu sei que no fim, naturalmente a viagem será muito mais importante que o destino, mas também sei que só mais tarde poderemos vê-lo claramente...
Até lá, só vemos o destino, a cores ou a cinzento espesso, dependendo dos dias...

sexta-feira, março 14, 2008

Filosofias...

Nao tinha nada para fazer (como é, infelizmente, costumeiro durante a minha estadia aqui em Berlim..) e decidi ler os posts antigos deste meu blog que entretanto deixei ao abandono.
E cheguei à brilhante conclusao que escrevo muito melhor e sou muito mais inspirada quando estou deprimida! É triste chegar a esta conclusao e verificar que os nossos momentos de maior clarividência foram aqueles em que nos sentimos mais tristes ou mais magoados bem cá dentro...
É quase como se tivéssemos um mecanismo interno de compensacao que nos faz ver o mundo de outra forma quando estamos em baixo... Pensando bem, até faz sentido, vemo-lo de outra perspectiva... de baixo...
Quando estamos bem e equilibrados, parece que esta terapia que é escrever para ninguém, perde um pouco o seu sentido... Ou entao comecamos a falar de coisas banais e corriqueiras, o que comemos ontem, a exposicao maravilhosa que fomos visitar, as viagens que fizemos...
Mas a verdadeira reflexao sobre quem somos, o que queremos e para onde vamos, só é possível quando nos vemos confrontados com a desgraca ou a tristeza... Quando somos obrigados a tomar decisoes ou, por outro lado, a aceitar aquelas que os outros ou o destino fizeram por nós... Aí, Deus ilumina-nos com a sua clarividência e escrevemos coisas bonitas...
Mas será que fazem algum sentido?...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Nós em Berlim





Ora, como todos já devem saber, eu e o Tiago estamos em Berlim, Alemanha!
Por 3 meses esta vai ser a nossa casa! Uma casa um bocadinho fria e cinzenta mas a nossa!

Tenho de confessar q não é fácil viver num país onde nos sentimos estrangeiros, especialmente qd a língua se torna uma barreira.. Mas aos poucos lá nos vamos entendendo e até passamos por situações bastante caricatas à conta do alemão! As idas ao supermercado então são hilariantes!

Aqui ficam algumas fotos para terem uma ideia do q podem encontrar numa futura visita! ;D
E olhem q vale bem a pena!


segunda-feira, novembro 05, 2007

Cicatrizes

Correndo o risco de me tornar repetitiva (eu, repetitiva? quem diria?) torno a insistir que toda a acção tem reacção. Todos os actos que cometemos, bons ou maus, têm repercussões no presente e no futuro. E deixam marcas...

Por muitas desculpas que se peçam, por muito q se tente emendar os erros cometidos e compensar com outras acções positivas, os actos vão deixando cicatrizes...

Umas mais finas e quase imperceptíveis, outras tão profundas que é quase impossível não as notar.

Mas não vale a pena gastar os neurónios a pensar nisso... That's life...

segunda-feira, agosto 20, 2007

Devaneios

Há dias em q apetece ser mágico e num estalar de dedos desparecer do mundo, nem q fosse só por 1 instante...
Há dias em q apetece dar o grito do Ipiranga e soltar amarras, pra poder viver ao sabor do vento, sem eira nem beira nem rumo certo...

Porque é q tudo tem q ser como a sociedade convenciona? Porque é q a sobremesa tem de ser sempre depois da comida? Porque é q tudo tem uma hora marcada e certa para se fazer?
Porque não podemos viver de forma imprevisível nem q seja por 1 só dia?

Na verdade, esta conversa nem parece minha, estas palavras em tempos passados não sairiam certamente dos meus lábios, porque a rotina e os hábitos instalados sempre me foram muito queridos... E pela mesma razão q para o resto do mundo: porque nos dão confiança, pq já sabemos o q esperar amanhã e depois de amanhã e depois e depois... e assim não há surpresas...
Mas hoje confesso q me apetecia fazer algo inesperado, algo inconfessável, algo q deixasse queixos caidos e bocas abertas... Só pelo puro prazer de transgredir, de divergir...

Porque, se todos gostássemos de vermelho, o q seria do azul?...

sexta-feira, agosto 17, 2007

A una nariz

Érase un hombre a una nariz pegado,
érase una nariz superlativa,
érase una nariz sayón y escriba,
érase un peje espada muy barbado.

Era un reloj de sol mal encarado,
érase una alquitara pensativa,
érase un elefante boca arriba,
era Ovidio Nasón más narizado.

Érase un espolón de una galera,
érase una pirámide de Egipto,
las doce Tribus de narices era.

Érase un naricísimo infinito,
muchísimo nariz, nariz tan fiera
que en la cara de Anás fuera delito.


Francisco de Quevedo

Sempre achei piada a este poema, por ser tão terrivelmente mordaz. Quevedo foi um escritor da época dourada da poesia espanhola (Siglo de Oro), por volta do século XVI, e tinha uma inimizade imensa com outro escritor da época, Luís de Góngora (que tb tem uns poemas lindos q a seu tempo mostrarei... ). E como se odiavam figadalmente, escreviam uns mimos destes um para o outro!

Neste poema Quevedo faz uma sátira ao nariz de Góngora pq naquela altura dizia-se que os judeus (e Góngora era judeu) tinham como traço caracterísitico um nariz grande! Mas isto era só a missa a metade acerca das disputas destes 2!

Naquela época a malta sabia como insultar alguém com muita classe! ;D

segunda-feira, agosto 13, 2007

A minha terra!



Ora digam lá se esta imagem não parece daquelas tiradas de um catálogo de revista sobre turismo rural?

Mas não é! É mesmo a vista da casa da minha avó no Minho!

É o meu cantinho da paz, onde só se ouvem os pássaros e as abelhas e de quando em vez as melgas a picar...

O ribeiro corre lento por aquelas paragens, como lenta é a vida que por ali se vive... Ali até o ar parece q cheira diferente, mais verde... Como se as cores tivessem cheiro...

Mas o melhor daquele sitio é as pessoas q por lá vivem. O seu sotaque do Norte é uma delícia e parece q ao fim de 2 dias já nos entrou de tal maneira no ouvido q nos sentimos impelidos a gritar: "Oooouuuu!" pra chamar o "bizinho" da frente e "botar-lhe um bocadinho de binho na malga"!

Os vizinhos são tão prestáveis q às vezes até temos q fugir deles pra não nos encherem a cozinha de batatas, feijões, pitos (bem entendido, são os frangos!) e coisas q tais! Tão saborosas! É tudo tão bom ali q eu (euzinha da Silva) até como 2 pães ao pequeno-almoço! (Pra quem me conhece sabe q isso é uma barreira quase imbatível para a minha pessoa...)

Enfim, apesar de não ser minha, adoro esta terra quanto mais não seja porque é lá q vive a minha jeitosa: a Avó Dina!

ACANAC!!!


"ACANAC, festa dos continentes,
de povos e culturas diferentes,
mas o mesmo sonho, o mesmo ideal,

ACANAC, festa dos lugares e gentes,
onde jogamos contentes,
nesta aldeia, aldeia global!"

Este era o hino dos lobitos no Acampamento Nacional e que cantámos até à exaustão e, literalmente, até q a voz nos doesse!


Foram 7 dias excelentes, cheios de um amarelo vibrante e ensurdecedor, com cheiro a pó e de camisa colada...

E de novo aquele sentimento de pertença a algo maior, aquele que me fez vir aqui em primeiro lugar e aquele que me faz não virar costas...


quinta-feira, junho 21, 2007

Conversas com Jaime II

- Oh tia, olha ali lagartas gigantes!! - diz ele com os olhos arregalados a apontar para o terminal dos autocarros no fundo da rua - mas sabes tia, as lagartas são borboletas sem asas! E não têm antenas! Os lagartos têm patas mas as lagartas não!

- E as lagartixas tb têm patas - respondo eu - os lagartos são lagartixas muito grandes! (digo eu com o meu ar de entendida na matéria...)

- Sim, mas os lagartos grandes só existem noutro país, no nosso só há pequeninos, que eu já os vi no paredão!! - responde ele com toda a sabedoria dos seus maravillhosos 4 anos...

:D

segunda-feira, junho 04, 2007

Regresso à Mina


Quase 8 anos depois, voltámos à Mina de São Domingos...
A mesma igreja, as mesmas escadas, o mesmo calor, quase as mesmas pessoas... Mas agora mais crescidos, mais maduros, mais adultos...
Foi uma sensação estranha mas ao mesmo tempo boa, voltar ao lugar que nos viu miúdos mas agora sermos nós a conduzir os carros que nos levaram até lá, sermos nós a decidir o percurso que a viagem levava... O do passeio de domingo e o das nossas vidas...
Custou-me especialmente entrar na igreja... Olhar para aqueles bancos, aquele chão, aquele altar, as paredes onde ecoaram tantas vezes as nossas vozes, o espaço onde se acenderam velas pela nossa mão,... Enfim, é um lugar que contém um pedacinho das nossas vidas...
E custou-me entrar e verificar que esse bocado de mim ainda ali está... Entrar e ver-me tão miúda, 15 ou 16 anos, ainda ali sentada naqueles bancos numa qualquer noite de oração...
É curioso sentir, passado todos estes anos, que aqueles verões passados com os amigos, foram tão importantes nas nossas vidas... Moldaram o nosso carácter e fizeram de nós as pessoas que somos hoje...
Eu sinto isso e creio que enquanto viver nunca deixarei de o sentir...
E ainda mais feliz foi olhar à volta e ver os mesmos rostos de há 8 anos atrás... Tão emocionados quanto eu...
Esses e outros rostos que entretanto se nos juntaram e que partilharam connosco aquele momento...
Por todos estes anos de amizade, umas vezes mais calma e tranquila, outras mais tormentosa, e por um domingo "em família" perfeito,... Obrigada!
E só pra acabar em beleza com aquela canção que ficou por cantar, mas que no meu coração ecoou todo o caminho de volta pra Lisboa:
"Um amigo é um bem, um tesouro que se tem,
sois vós as estrelas que nos guiam mais além.
O tempo voa neste instante e já estamos de partida,
digo mais, não vos trocava por nada nesta vida..."

quarta-feira, maio 02, 2007

Conversas com Jaime

O Jaime é o meu sobrinho de 4 anos. Mas apesar da sua tenra idade às vezes diz coisas q me deixam sem palavras...
Eis algumas das suas deixas mais brilhantes:

- O vento tem cor? (Resposta da tia abismada: não, o vento não tem cor, não se vê...) Então tem que ser uma cor que não se veja, como o preto, o preto não se vê! (E vai uma pessoa contrariar uma afirmação tão lógica?!)
- As ovelhas têm língua? (Er... er... sei lá eu se têm língua... devem ter, mas nunca tal ideia me passou pela cabeça!)
- Fui ao cinema e comi 3 pipocas! (Pergunta idiota da tia: Só???, ao que ele responde com o ar mais normal do mundo:) 3 já são muitas!!! (pois claro, tia glutona!)
- Não posso namorar com a Matilde pq senão não tenho tempo para brincar com o Zé e com o Tiago! (Mais q óbvio, oh tia! Um namoro exige dedicação e esforço, tás parva ou q?)
- Os dinossauros gostavam de chuva? (Er... er... pois, mais uma daquelas para as quais fico sem palavras...)


É assim o meu tesourinho... :D

Coisas que me pasmam

Estava eu a tomar o pequeno almoço aqui há dias quando fui surpreendida por um programa de televisão altamente inovador: o Boletim Polínico! É isso mesmo que estão a pensar! É tipo Boletim Meteorológico mas sobre o pólen! (aquele que paira no ar e causa alergias e rinites alérgicas, bem entendido...)

Extraordinário!!! Agora, sempre que quiser posso sair de casa já com a certeza daquilo com que vou dar de caras (ou de nariz, melhor dizendo!). Um dia será pólen de azinheira, outro dia de outra coisa qualquer...

Para quem quiser saber mais o Boletim Polínico será transmitido na TSF, às sextas-feiras, às 13 horas em directo, com repetição às 16 horas. Na RTP o Boletim Polínico irá para o ar no Programa “Bom Dia Portugal”, perto das 9 horas da manhã.

Estou absolutamente pasma...



Outra notícia que me tomou de assalto no outro dia de manhã (isto de manhã faz-nos sobressaltar pq ainda vamos meio a dormir...) foi a de que a QUERCUS impediu a construção de um Ikea em Paços de Ferreira por razões ambientais. Que sorte... (para os milhares de comerciantes de móveis de Paços de Ferreira, obviamente...) Isto há lá coisas... ;)

terça-feira, março 13, 2007

Amiga mía


Amiga mía, princesa de un cuento infinito.

Amiga mía, tan solo pretendo que cuentes conmigo...


Alejandro Sanz